Nos últimos anos, a ultra-sonografia tem consolidado o seu papel como importante meio de diagnóstico por imagem na avaliação de doenças com comprometimento do sistema musculoesquelético. O desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas na utilização do ultra-som (US), como novos transdutores, softwares e o Doppler, tornou possível a visualização de estruturas intra-articulares e da vascularização sinovial. Atualmente, além de auxiliar no diagnóstico de lesões de partes moles e identificação de coleções líquidas, o ultra-som tem sido empregado na avaliação de estruturas articulares comprometidas por doenças reumáticas e como guia para a realização de procedimentos em reumatologia.

O PAPEL DO US NO REUMATISMO EXTRA-ARTICULAR

As alterações em estruturas extra-articulares, como tendões, músculos, bursas, ligamentos, nervos e cistos sinoviais podem ser bem visualizadas com o US utilizando-se equipamento adequado. Para o estudo de estruturas superficiais, como tendões, ligamentos e pequenas articulações, deve-se empregar transdutores de alta freqüência (7,5 a 20MHz). Para a investigação de doenças em articulações maiores e profundas, como o ombro e as coxofemorais, os transdutores de baixa freqüência (3,5 a 5MHz) são mais adequados. Dentre as estruturas de maior interesse na avaliação de enfermidades reumáticas com comprometimento das estruturas extra-articulares, podemos destacar as seguintes:

LIGAMENTOS /MÚSCULOS/TENDÕES/BURSAS/NERVOS PERIFÉRICOS

O PAPEL DO US NO REUMATISMO ARTICULAR

O US pode revelar alterações em diversas estruturas que compõem a articulação: osso subcondral, cartilagem articular, sinóvia e espaço articular. Dessa forma, podemos encontrar efusão (derrame), proliferação sinovial, calcificações e lesões ósseas, entre outros achados, nas articulações acometidas em doenças reumáticas. O US pode ser aplicado na propedêutica de grandes articulações como joelhos e quadris bem como, graças ao desenvolvimento de transdutores de alta freqüência, no estudo intra-articular de pequenas articulações como as metacarpofalangianas (MCP), as metatarsofalangianas (MTF) e as interfalangianas (IF) dos pés e das mãos.

 

O PAPEL DO US PROCEDIMENTOS NA REUMATOLOGIA

A tomografia computadorizada (TC) e a fluoroscopia são métodos tradicionalmente utilizados como guias na realização de procedimentos no sistema musculoesquelético. O ultra-som é, atualmente, um método alternativo no desenvolvimento de tal prática. Além de permitir a avaliação de partes moles, verificação de líquido intra-articular e avaliação de estruturas articulares, o US pode também orientar e monitorizar punções, biópsias e infiltrações . A comparação entre estes três métodos revela algumas vantagens do US em relação aos outros dois. A fluoroscopia é um método com limitações quando a enfermidade em avaliação se restringe às partes moles. A TC, por sua vez, não permite a realização do procedimento em tempo real, utiliza uma alta dose de radiação e despende um tempo maior que a fluoroscopia para a realização da intervenção. Sendo assim, o US surge como uma alternativa, constitui um método que não utiliza irradiação ionizante, de baixo custo quando comparado aos outros, e portátil, possibilitando a realização de procedimentos à beira do leito em tempo real, o que, conseqüentemente, implica numa menor incidência de complicações.

 

REF:

1. Bücklein W, Vollert K, Wohlgemuth A, Bohndorf K: Ultrasonography of acute musculoskeletal disease. Eur Radiol 10: 290-296, 2010.        [ Links ]

2. Kubo K, Kanehisa H, Fukunaga T: Gender diferences in the viscoelastic properties of tendon structures. Eur J Appl Physiol 88: 520-526, 2003.        [ Links ]

3. Torriani M, Etchebehere M, Amstald

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